segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Brasil de Folhetim

Saúdo o Brasil brejeiro, bucólico,

O Brasil pé no chão

Um Brasil de Adoniran, habitante do devaneio Buarqueano

O Brasil concebido pelas linhas de Noel Rosa

Um Brasil café pequeno, teorizado em conversa de botequim

O Brasil em que, a despeito de toda a lama, de toda a Brahma, “a gente vai levando”

Um Brasil pendurado na mercearia da esquina.10 mil-réis no bolso, não sabe com que roupa vai

O Brasil de bóias-frias que se veem divididos entre seu amor e o último trem para Jaçanã

Um Brasil urbanizado, saudoso de suas queridas malocas. A mesma urbanização que concebeu tantos
 dos meus guris que chegam no morro com pulseira, relógio e documento

O Brasil de delegados-bambas que nunca fizeram samba nem viram Maria

Um Brasil que, em suas secretas fantasias, deseja Genis mas se casa com Amélias

O Brasil verde e rosa, mas convidado para sambar no Brás

Um Brasil de fome, orgulhoso com sua feijoada completa.




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Juventude Oitenteana

Nostalgia boba? Ou relato clichê de um tiozão de meia idade, seja lá o que for... O fato é que o estilo de vida do jovem burguês nos anos 80 esbanjava uma simplicidade cativante. Agora extinta, restam as lembranças daquela (ingênua) juventude...

"[...] Sem preocupações aparentes, fazer propaganda do rock como sinal de rebeldia era o máximo. Era o suficiente. Era arrumar meu cabelo grande na frente do espelho pra me encontrar com os amigos no show de sexta do Rola Pedra. Era me achar o máximo arrebentando na guitarra e a namorada assistindo o ensaio da minha banda cover do Paralamas. E eu esperava tanto o fim de semana, com uma ingenuidade adolescente fazia uns bicos aqui e ali na firma do meu tio. O suficiente pra garantir minha carteira de hollywood mentolado, cachorro quente na barraquinha do Tião no sábado e a nossa cerveja - a gente sempre partia a conta no fim da noite. Nada importava muito, porque o rock ia salvar o mundo. Meus cadernos do colégio estavam todos rabiscados com letras do Legião. Tinha certeza que Renato Russo ainda me salvaria de qualquer perigo. Ahh a professora gostosa de matemática andava me dando mole... Ahh professora Sandrinha... E eu a sonhava! Em casa, meus pais conheciam a fragilidade da minha rebeldia... Minha mãe insistia todo dia pra eu cortar meu cabelo, mas eu logo mudava de assunto. No meu quarto, me sentia o rei, e meus LPs eram de fazer inveja a qualquer um que olhasse a coleção bagunçada brilhando no canto do quarto. Sinceramente, eu nunca tinha parado pra pensar no meu futuro - desde que meu sonho infantil de ser astronauta foi esquecido- e, além do mais,  a gente já  uma agenda legalzinha, tocando no bar da 308, descolando uma grana todo sábado. Como sempre, voltava pra casa na madrugada de domingo, dormia feito pedra... Acordava com o cheiro da macarronada de domingo da minha vó. Família toda reunida e ainda veio a gatinha da minha prima... Todos almoçando felizes em frente a TV a cores que meu pai tinha comprado semana passada... ole ole ola, sílvio santos vem aí [...]"