segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Brasil de Folhetim

Saúdo o Brasil brejeiro, bucólico,

O Brasil pé no chão

Um Brasil de Adoniran, habitante do devaneio Buarqueano

O Brasil concebido pelas linhas de Noel Rosa

Um Brasil café pequeno, teorizado em conversa de botequim

O Brasil em que, a despeito de toda a lama, de toda a Brahma, “a gente vai levando”

Um Brasil pendurado na mercearia da esquina.10 mil-réis no bolso, não sabe com que roupa vai

O Brasil de bóias-frias que se veem divididos entre seu amor e o último trem para Jaçanã

Um Brasil urbanizado, saudoso de suas queridas malocas. A mesma urbanização que concebeu tantos
 dos meus guris que chegam no morro com pulseira, relógio e documento

O Brasil de delegados-bambas que nunca fizeram samba nem viram Maria

Um Brasil que, em suas secretas fantasias, deseja Genis mas se casa com Amélias

O Brasil verde e rosa, mas convidado para sambar no Brás

Um Brasil de fome, orgulhoso com sua feijoada completa.




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